seis horas da tarde, sexta-feira, a escola toda em quietude. hora de ir cuidando dos detalhes: carregar a pirâmide pra um lugar coberto, fechar uma porta que ficou aberta, apagar alguma luz que esqueceram acesa, guardar a garrafinha perdida no quintal. vou andando pela escola vazia e pensando em tudo que aconteceu ali nas últimas horas de um dia bem cheio. as brincadeiras no quintal, as estudantes de pedagogia que vieram fazer pesquisa; as aulas de música sobre diferentes etnias indígenas, a criança nova que estava indo pra escola pela primeira vez, o menino que pediu minha ajuda pra aprender a descer pelo “cano do bombeiro”, as comidinhas feitas de lama e folha, as bocas sujas de feijão e as barrigas cheias. também os conflitos e brigas, os “é meu”, “não gosteeei!”, “não me empurra!”; os convidados do creas que foram conversar sobre diversidade, gênero e respeito; o pequeno que passou mal, a reunião que precisou ser remarcada, a impressora que não funcionou, os abraços compartilhados, as gargalhadas sem fim... cada dia aqui é infinito, parece, porque cabem coisas que a gente nem imagina. vou andando pela escola quieta, vazia, e achando bonito esse tanto de coisa, pequena e grande, que compõe o emaranhado do dia a dia.
Eu adoro o jeito que a moda acompanha a vida real das pessoas. Essa semana, por exemplo, tivemos umas duas tempestades de neve, e as temperaturas tavam entre -20 e -10. Mas nas lojas encontramos nada mais nada menos que biquínis . É, biquíni. É, eu disse -20 graus, com neve. A coleção primavera já chegou, o que nos faz ao menos ter a esperança de que o inverno vai mesmo acabar um dia. Só que esse dia ainda vai demorar uns 2 meses pra chegar, e enquanto isso a gente tem que ficar sofrendo. Porque é a maior sacanagem, vários vestidos lindos, shorts gracinhas, um monte de blusa de alcinha... e você tendo que caçar uma suéter, porque peloamordedeuuus, que frio é esse! O bom disso é que as roupas de inverno entram em liquidação. Alguma coisa tinha que ser boa nesse esquema de pegadinha das lojas, né?!
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