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pensando alto

era com carla bruni que eles dormiam depois do almoço. todo dia, todo dia a carla bruni, o mesmo cd, as mesmas músicas. as mesmas doze crianças nos seus colchonetes, rendidas ao sono - algumas depois de uma luta, outras já felizes na entrega. as mesmas músicas, e nós três professoras ali do lado. indo e voltando do almoço, arrumando o caos da sala depois de uma manhã ocupada. preenchendo os relatórios do dia, "o fulano comeu arroz e feijão hoje?". enchendo bacias de água pra brincadeira da tarde, porque tá muito quente hoje, acho que eles vão gostar de brincar com água, né? respondendo emails dos pais, das reuniões, lembrando da roupa de uma que sujou de tinta e está em algum canto da sala agora, tem que colocar na mochila. cortando frutas, pensando se a fiona, nossa linda peixinha, comeu muito hoje, lembrando de algum impasse do parquinho e se ajudamos a resolver de um jeito legal. a carla bruni, insistente, até a hora de abrir a cortina e ir acordando os sonolentos. ten...

novo, de novo

acho que desaprendi a escrever. a vontade cresce, e se eu tivesse um gravador que passasse as palavras que penso durante o dia direto pro papel, ou pra tela, o blog, os emails e cadernos iam estar cheios, lotados de histórias pra contar. mas sem gravador mágico, automático, sobra eu aqui. tentando digitar alguma coisa, sem saber bem o que é, e já cansada de ter a falta de escrita como tema pra escrever. como se tivesse que pedir desculpas, ou pedir licença pra recomeçar. cuidado demais com o que for escrever, talvez? sem saber pra quem, pra que escrevo? bom, tá aqui (mais um) recomeço e tentativa. e venha o que vier...

2010

esse ano chegou e nem teve grandes apresentações por aqui. não fiz retrospectiva do ano passado, não escrevi meus desejos, esperanças e planos pro ano e nem mesmo fiz um texto mais melosinho sobre como o tempo passa rápido, como é lindo o ano ser dividido em 12 pedaços ou como esse ano traz bons presságios pelo simples fato de ter começado em uma sexta-feira (não tem dia melhor pra iniciar um novo ciclo grande assim, né?!) depois de 2009, eu só quero mesmo que esse ano seja. ponto. ele vai ser bom, vai ser ruim, vai ser intenso, vai ser demorado e rápido e colorido e bonito. tudo ao mesmo tempo. ou em tempos separados. porque se a gente pensar bem, um ano é muita coisa pra querer que ele seja sempre igual. então... que 2010 continue sendo, do jeito dele. e que eu tenha paciência com esse ano que ainda é tão novinho...

Codinomes

Desde pequena eu tenho um monte de apelido; em casa temos Tata, Tatinha, Talinha, Tatuska (e Tatuskinha), Talia Télia, Talia. Depois, na escola, tinha Nath, Naná e Nathinha - Nath prevaleceu, salvo raras execessões. Depois que virei professora, aprendi a atender por vários nomes: Pící, Tali, Taia, Mataia, Talia, Nataia, Natali, Titatali, e até Matila (que depois virou Nathila, nas mãos da Claudila). Temos ainda Na, Tati, Nánis; e pequena, guria, marida, flor, happy friend... Por enquanto vieram por aqui a Nathália e a Nath, e a Tali (quando eu conto das crianças). Mas qualquer dia desses a Nánis vai aparecer por aqui - provalvemente num email endereçado a Lulu... aguardem!

Voltei

No meio de uma casa nova, novo horário, mais tailandês, tempo passando rápido e uma viagem intensa pro meu querido Brasil, sobrou pouca vontade de escrever. Mas agora com a rotina de volta, algumas descobertas e mais coisas fofas das crianças... cá estou de novo. ;)

Leiaut

To tentando dar uma cara nova pro blog; quem sabe mudando ele um pouco eu animo pra escrever mais? Essa cara é provisória, enquanto eu não acho nada que seja exatamente mesmo o que eu quero. Difícil transferir a cabeça pra tela, né? Acho que é por isso que to sem escrever também...

Inspiração

O sumiço não é por falta de vontade de escrever, nem porque não tem nada pra falar. Nem mesmo falta de tempo é a responsável por tanto tempo sem dar o ar da minha graça aqui. O problema mesmo é o timing da inspiração: as melhores idéias e os melhores textos só chegam momentos antes do sono, quando eu já estou confortavelmente deitada, com meu edredon quentinho, pronta para meu repouso... e daí vem o texto inteiro na minha cabeça. Várias vezes. Eu até fico repetindo e repetindo as palavras em silêncio, tentando não esquecer pro dia seguinte, mas é em vão: chega a manhã e eu não lembro nem o assunto. Quem sabe daqui a pouco as palavras não se comportam e chegam em um domingo à toa, ou na hora do almoço enquanto eu ainda tenho 15 minutos de intervalo e nada pra fazer? Enquanto isso, esperemos. ;)

des-abafo

Essa semana foi recheada de sensações e sentimentos intensos, de um tanto que ontem, no fim da tarde, eu precisei respirar. Respirar é um modo de dizer. Eu precisei parar por um segundo ou dois, me distanciar de mim, do meu corpo, da minha casa, meu emprego, meu marido, minha família, minha saudade, meus sonhos e pesadelos, minhas preocupações, ansiedades, meus medos e minhas obrigações... me distanciar de tudo isso, pra poder olhar com olhos de quem vê de longe, e dizer: "caramba!" Foi essa minha reação quando eu vi os emaranhados todos que tavam (tão) em mim nessa semana embrulhada. Era tanta coisa, e tanta coisa forte, e tanta coisa tão forte e tão próxima, em tempo e espaço, que eu me perguntei, incrédula: - Como você tá conseguindo lidar com tudo isso?! A resposta foi simples: eu não tô. Então eu resolvi respirar, mais fundo dessa vez, e fui dormir. Chega, eu pensei. Tá na hora de descansar. Isso fez com que a quinta tivesse cara de quarta, e fez com que pelo menos um dé...

Tirando a poeira

É tudo culpa do zeitgeist; tem um clima, um tempo certo pra tudo. e agora o zeitgeist "ter um blog" voltou, e me contagiou também. Escrever, compartilhar, contar, divagar, questionar; cá estamos para isso, decidindo expor as belezas e pedras dessa vida de ser estudante, professora, esposa, expatriada, latina, nathália... Fica o convite então. Vamos juntos?