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Mostrando postagens de Outubro, 2009

Saudade

A saudade quando vem, vem bem quietinha. Ela não faz barulho, que é pra eu não saber que ela tá chegando. Me toma de surpresa, e quando menos espero sinto uma falta de ar que começa no peito, e depois sobe pra garganta, e toma todos os meus pensamentos.

Às vezes a saudade começa do abstrato, do maior: o cheiro da cidade; as cores; o barulho do trânsito, a retidão do eixão, as árvores tortas, os debaixo-dos-prédios.
Ela vai então diminuindo... a varanda do quarto, os corredores da UnB, a parede amarela do Interagir (a saudade me surpreende sempre também!), a casa de amigas, a padaria, a sorveteria preferida, a casa, os lugares. Os lugares...

Aí ela vai chegando naquilo que eu não consigo descrever ou mensurar - risadas, abraços, conversas. Danças, caronas, colos, ombros. Festas, forrós, sambas, saias rodadas. Sofás, presenças, árvores com iniciais, andanças em parques, confissões em bares. Estudos de madrugada, brigadeiro antes de dormir, jogos até de manhã, segredos. Risadas soltas, bilh…

Não basta ser tia...

Coisas que eu aprendi hoje passando o dia com a Camilinha:

- sempre que você for para um lugar que tenha qualquer atividade envolvendo pintura, leve jornais ou papéis velhos para cobrir seu carro - assim você pode carregar a obra prima com segurança;

- nunca tente equilibrar uma abóbora num prato, não importa quão pequena e inofensiva ela possa parecer. Se a abóbora estiver cheia de tinta... bom, você deveria ter pensado em levar um tupperware pra festa;

- os muffins servidos nos lugares nunca são os muffins certos;

- poucas coisas na vida são tão interessantes quanto glitter e purpurina;

- a exceção para a regra acima é um pula-pula - óbvio;

- um abraço é tanta coisa que só cabe dentro mesmo de um abraço, e é a melhor forma pra encerrar qualquer dia!


Camila muito concentrada decorando sua abóbora

Aleatoriedade: definição

10 da noite depois de um dia longo, com aula e muiiito trabalho, e eu to aqui, sacudindo as pernas e comendo nutella, com mais energia do que Itaipu pulando dentro de mim.

Que nem as crianças lá da escola, que no fim do fim do dia, quando as mães chegam pra irem embora, resolvem se soltar, correr pela sala, subir e descer escada num ritmo alucinado, cantar, rodar e rir... pois é. Como eu não tenho escada, e nem espaço pra correr, e não posso atrapalhar muito os vizinhos, to aqui. Sacudindo a perna e comendo nutella.

Nutella, aliás, é uma invenção dos céus, né? Acho que esse fim de semana eu vou no farmer's market - tem uma moça da Bélgica (eu acho) que faz um crepe de morango com nutella de cair o queixo... é muiiito morango, e muiiita nutella. Praticamente um crime contra os bons costumes, já que a bagunça é inevitável.

Falando em bagunça, lembrei da escola. Porque todo dia é uma bagunça diferente, né? É prato que cai, é menino que bate a cabeça do amiguinho na árvore (quisera eu es…

Aprendendo thai - lição 1

Aprender tailandês é uma aventura sem fim - eles têm mil letras diferentes pra um mesmo som, regras sem pé na cabeça, significados distintos (às vezes MUITO distintos) para palavras idênticas, mas com tons diferentes, e um alfabeto desenhadinho que dá a maior trabalheira pra aprender.

Mas é uma língua muito poética, simples à sua maneira, e que revela muito do jeito de ser e pensar do seu povo. Quer ver?

ใจ(djai) significa literalmente coração, e tem milhões de usos e significados. Por exemplo:

Se você entende alguma coisa, você fala que เข้าใจ (khaw djai). เข้า (khaw) é entrar, ou seja: entender é entrar no coração.

Tá triste? เสียใจ (sia djai) - เสีย (sia) significa estragar, estragado. Tristeza, então, é um coração que precisa ir pro conserto.

E é assim com tudo: confuso é quem troca de coração (plian djai - เปลี่ยนใจ); benevolente tem o coração bom (dii djai - ดีใจ ); aliviado é quem tem o coração desobstruído, livre (glong djai - คล่องใจ); agonia é ter o coração pequeno (nói djai - น้…

que nem passarinho

"o pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa
quando começa a pensar..."

Gentileza

Outro dia as crianças acharam uma borboleta no parquinho, e a borboleta, muito simpática, ficou pra brincar com elas - subiu no casaco de uma, fez cócegas na mão do outro, escalou as botas de uma terceira...

E as crianças, mostrando toda a delicadeza e gentileza que a gente tenta ensinar, foram bem amáveis com a borboleta.

O Nathan, depois de achar a borboleta com jeito de assustada, sugeriu: vamos fazer um habitat pra ela?

E lá foram eles, com folhas, galhos e flores, fazer uma casa pra nova amiga - que dali um pouco voou pra brincar em outro lugar.

2016

Morando fora, todo dia é dia de me orgulhar de ser brasileira: samba, pão de queijo, abraços, beijinho de oi e tchau, um jeito de ser que se reconhece de longe...

Mas tem dias que a alegria fica ainda maior - que nem ontem!