sábado, 22 de julho de 2017

desmame

foram mtas tentativas de desmame; teve a vez que a dentista fez terrorismo e disse que as cáries eram da amamentação. e eu acreditei, cheguei em casa de noite e falei que não ia ter peito, e a clarice chorou muiiiiito, e eu chorei muito tb, até desistir depois de 1h e dar mamá pra ela, as duas soluçando e eu abraçando ela forte. eu falava nessa época que queria desmamar, mas não estávamos prontas. teve tb no natal, que ela passou dois dias sem pedir e eu pensei que pronto, tinha desmamado assim, sozinha e do nada. mas, risos, claro que não. teve as vezes que eu quase surtava de madrugada, exausta e irritada. teve a vez no carnaval, que eu tive que ninar ela no colo duas madrugadas, peguei uma gripe braba e desisti pq precisava dormir. e teve a vez que foi, de verdade, o desmame. não teve combinado, não falei que ela era grande (pq ela sempre respondia isso com um gugu-dadá com voz de bebê, falando que era pequenininha), e tb não teve raiva ou surto. era o segundo dia que ela mamava demais de madrugada, e eu tirei o peito uma hora e disse pra mim mesma: "chega". e nos outros dias ofereci água e banana. e falei que o memê, como ela chama, tinha acabado. tiveram alguns dias de choro, de pedir o memê, e até um dia que acordei de madrugada com ela mamando, haha. ela já falou que qnd for bebezinha de novo vai mamar mto, às vezes ainda pede e diz que é pequena. eu digo que ela é pequenininha sim, mas mesmo assim o memê acabou. tem dias que ela pede pra abraçar o memê, dá beijo e diz "eu te amo, memê fofinho!" eu acho lindo, mas acabou. percebi que foi uma mudança de hábito, que eu dava mamá pq era prático e cômodo, mas não tava mais curtindo. agora ela pede carinho e música pra dormir, e meu coração explode de amor. às vezes ela dorme sozinha mesmo, e fala que "música não" (preciso contar pra ela que os desafinados tb tem um coração! haha) tô mto feliz e orgulhosa de toda nossa história de amamentação, e mto feliz por ter de fato entendido que existem muitos e muitos vínculos entre a gente. seguimos juntas, sempre. ❤️

[escrito em 7.maio.2017]

quinta-feira, 20 de julho de 2017

do cansaço

hoje, 3 anos atrás, era a data provável do parto da clarice; hoje, um mês atrás, desmamamos; hoje, hoje mesmo, o cansaço e a pressão do mundo levaram o melhor de mim e perdi a paciência com ela de um jeito raro e doído. hoje, como todo dia, eu me derreto de amor. busco forças nem sei onde para encarar os erros como aprendizados, busco paciência como um desesperado no deserto busca água, busco prestar atenção em cada historinha que ela conta e no jeito que ela me mostra que abre a tampa da garrafinha dela com o dedão. eu não quero esquecer nada, mas quanto já se perdeu na memória pra dar lugar a novas experiências, aventuras e descobertas. quanto ainda há por vir, que vai deixar esse dia difícil empoeirado em algum canto. quanto amor, quanta (im)paciência e quantos desafios ainda vamos viver. ser mãe é das coisas mais intensas, malucas e bonitas dessa vida. sorte a minha viver isso com/por ela.

[escrito em 04.maio.2017]

quarta-feira, 19 de julho de 2017

de bangkok

era um calor dusinferno, era caótico e confuso. era cansativo não entender as placas, os vendedores, as pessoas na rua. o trânsito era punk rock e as ruas tinham um cheiro acre que rendeu até um texto "olfativo". mas era bonito. ver as pessoas fazendo oferendas pras pequenas casas de espírito nas ruas era tocante. ver os tailandeses felizes da vida quando eu arranhava todo meu thai era divertido; conhecer templos novos todo fim de semana era inexplicável. morar em bangkok foi uma experiência transformadora, porque não foi um romance lindo de "oh amor à primeira vista, me encantei, amo muito", mas também não foi filme de terror. foi contraditório, intenso, cheio de incoerências e contrastes, como é tudo na vida se a gente olhar de perto. hoje eu morro de saudade, de vontade de voltar e de imensa alegria por ter tido coragem de encarar isso um dia na vida. 🇹🇭 ❤️

[escrito em 30/03/2017]

furacão

umas semanas atrás passou um furacão por aqui, e foram dias de muito choro, chiliques, contorcionismos, luta livre e um leve desespero (mentira, não foi leve não.) chorei também, perdi a paciência, pedi ajuda, bolei planos mirabolantes, pensei em fugir pro nepal. e aí vi que nada disso tava funcionando, que eu precisava era me lembrar dos meus limites, do que eu não negocio e de como falar isso pra clarice. lembrei que eu preciso brincar mais com ela, daquele brincar de verdade, e preciso também me cobrar menos e entender que nem tudo na vida é culpa minha. e passou. nos dias de furacão eu achei que não ia passar nunca, claro. mas sempre passa. e aí vamos seguindo com mais calma e leveza, lembrando de respirar e esperando o próximo furacão chegar - porque com certeza tem muito furacão esperando a gente ainda. mas tudo bem, a gente vai levando. 💛

[30.novembro.2016]

segunda-feira, 17 de julho de 2017

a mãe

mãe de manual. era essa mãe que eu queria ser. a que faz tudo certinho, que é equilibrada e sempre sábia. eu acho que a gente vive tempos de uma maternidade muito prescritiva, com muitas respostas, ritos e fórmulas, pesquisas indicando tudo e fazendo acreditar que criar filho é uma ação-reação linear e previsível (faça isso de tal jeito que o resultado será esse. se não for é pq vc fez algo errado, ops, volta pro fim da fila). e eu gostei disso, acho. achei que era uma corda da salvação, que era tudo que eu precisava, e mergulhei fundo nisso. sim, acho que tem um contexto que pesa muito, mas também me foi cômodo decidir entre aquilo que estava dado como eficaz, certo. mais fácil e menos arriscado que achar meu próprio caminho.

hoje eu quero achar que faria muita coisa diferente. leria menos sobre maternagem e suas nuances, e mais sobre feminismo e sororidade; leria menos relatos de parto e me olharia mais no espelho; leria menos sobre picos de crescimento e mais poesias. hoje eu tô tentando esse exercício, de me achar no meio dos meus papéis, de parar de me chicotear por não ser a mãe-manual, de fazer escolhas que sejam minhas, mesmo que muito pequenas. e quero lembrar desses gestos mínimos, porque são passos pra alguma coisa, espero. a gente precisa sempre começar de algum lugar.




[escrito em 05.dezembro.2016]

paredes

quando eu engravidei a gente morava em um apartamento de dois quartos que tinha sido reformado pra ser um quarto só - um quarto bem grande, com uma escrivaninha imensa na ponta, uma amplidão que só vendo. e uma das primeiras coisas que pensamos foi: "o bebê vai precisar de um quarto!" (falo sobre essa ilusão em outro post depois, vamos por partes).

começamos então uma pequena reforma pra levantar a parede e dividir o quarto em dois, e esses dias pensei nessa história e lembrei da angústia que isso me deu. lembro de um dia deitar na cama e chorar, me sentindo claustrofóbica e apertada. acho que na verdade aquela parede, além dos enjoos e da barriga crescendo, materializava a mudança imensa que estava acontecendo, toda a transformação que estava por vir. era uma das primeiras concessões que o meu eu-mãe fazia ao bebê, e acho que me fez pensar em todas as outras coisas que eu abriria mão, em tudo que nunca mais seria o mesmo.

hoje, vejo como foi bom eu ter tido esse tempo de chorar pela nova parede, pelo espaço perdido, pela rede de proteção na janela que me impossibilitaria colocar a cabeça pra fora se eu quisesse, por todas as inseguranças e medos e tudo mais que veio como um furacão na gravidez. é incrível sim gerar uma vida, mas é também assustador, e acho importante termos tempo e espaço pra lidar com tudo que não são flores.


[mais um texto antigo que só que vou publicando pra retomar o blog; escrito em setembro/2016]



Dicas de Bangkok - parte 2

- tô pensando em retormar o blog e vi esse post que estava no rascunho há um ano e meio (ops!). o comecinho tá todo detalhado, o resto com os pontos que coloquei tanto tempo atras, quando tínhamos acabado de voltar de bangkok e eu lembrava de tudo que fizemos por lá. agora fico lendo e só me bate a saudade e vontade de voltar! fiquem então com um post meio capenga, que em breve eu volto com uns mais terminadinhos. ;)
(e sem foto nenhuma pq troquei de computador e as fotos da tailândia tão no antigo. foi mal!)

Agora, as dicas de lugares e passeios*:

* essas dicas são bem pessoais, que fui escrevendo tentando pensar em coisas que nem sempre eram tão óbvias

• Templos
~ Wat Pho (Buda reclinado) e Wat Phra Khaew (Buda de esmeralda)
O Wat Pra Khaew fica dentro do complexo do Grand Palace, e o Wat Pho bem perto, dá pra ir andando de um pro outro. Pra ir pra região eu acho mais fácil ir de táxi. O Wat Pra Khaew fecha mais cedo (às 15h), e é enorme, então eu sugiro começar por ele. Os dois lugares têm código de vestimenta, então é recomendado ir de calça e blusa sem decote, que cubra os ombros. Nos lugares tem sarongues e lenços pra vender também. No Wat Pho tem a primeira escola de massagem tradicional tailandesa, por um preço justo; vale a pena fazer. Ah! É proibido tirar foto do Buda de esmeralda. O ingresso pro Grand Palace e Wat Pra Khaew dá direito também a um ingresso, válido por 5 dias, pro Throne Hall e Vimanmek Mansion: guarde bem seu ingresso!

Wat Arun (templo do pôr do sol)
Acho que foi o templo que eu mais gostei (talvez empatado com o Wat Pho), é muito bonito. Fica na beira do rio e tem uma vista incrível, principalmente pro pôr do sol, como o nome sugere. Ele estava em obras, todo coberto por tapumes, mas ainda assim estava aberto a visitas. Quando eu fui as obras não tinham começado, mas a essa altura é capaz de já terem terminado...


Wat Saket (Golden mount temple)
É uma escadaria imensa, mas vale a pena, tem uma vista linda. É legal saber o dia da semana que nasceu pra dar moedinha pro Buda do seu dia

Marble temple
Não é indispensável, mas vale a visita; passear pelo lugar e ver a vila dos monges, onde eles moram; é o templo que tem na moeda de 5bath

• Comida


Frente do lumpini park (de noite; não funciona segunda)
• noite
Khao san road
Rua dos mochileiros, tem de tudo la. É uma das ruas mais famosas de bangkok pros turistas
Rooftop bar
Tem vários, vale a pena pesquisar na internet e ver qual gosta mais
Silom - patpong
Red light district de bangkok
Nana
Rua em sukhumvit; bts nana; tem mtos bares e boates

• compras
Mbk
Bts national stadium; vale a pena almoçar lá tb, no food court (dá pra ir no msm dia que for no jim thompson house, é perto)

Central world ou central chidlom para lojas de marca (bts chidlom, dá pra andar e ir nos 2)
Central World é um dos maiores shoppings da Ásia, tem várias marcas e uma área gratuia bem legal pras crianças brincarem.

Siam square
Bts siam. É o centro de Bangkok, com muitas lojinhas, restaurantes e comida de rua; é mais "trendy", vale a pena ir

JJ market
Bts mo chit; é a maior feira do mundo, e só funciona fim de semana. Tem tudotudotudo e é imenso, a dica é ir com paciência e roupas bem frescas. Fica muito perto do Children's Museum, um passeio de graça que tem que ir se vc vai com crianças.

• cultura e cia

Jim thompson house
Vale pela arquitetura, é uma casa linda e toda tradicional tailandesa

Throne hall
Mto lindo! Impressionante. Dá pra ir com o ingresso que ganha no grand palace.

Asiatiqu
um shopping aberto na beira do rio, tem uma roda gigante e mtos restaurantes legais. Bom para um happy hour, abre às 17h

Chinatown
Compras, comida de rua, templos

Passeio de barco pelo rio
A gente usou uma vez pra ir pro Asiatique e foi bem legal, é um meio de transporte que vale a pena dependendo do lugar que vc quer ir

Bangkok Art and Culture Center
Ateliês e exposições, fica na frente do MBK

Lumpini park
Mrt (metrô) lumpini ou silom; ou de tuk tuk depois do central world; Parque bem grande e legal; tem lagartos que parecem jacaré; dá pra andar de pedalinho e fazer piquenique; se estiver la as 18h dá pra ver todo mundo parando na hora que toca o hino

Benjasiri park
Bts phrom phong; tem música ao vivo domingo; é meu parque preferido mas pq o parquinho é legal pra clarice; sempre tem gente fazendo piquenique; bem menor que o lumpini

Aquário Ocean World
Bts Siam, dentro do Paragon Mall
Tem muita coisa legal, mas é meio caro. Boa opção para um dia de chuva, muito calor ou de muito cansaço

Andar de tuk tuk
Eles cobram mais caro, mas tem que andar pela experiência!

Fora de bangkok:
Ir pra ayuatthaya, capital do antigo império. Tem mtas ruínas de templos, bem bonito. Pode ser passeio de 1 dia ou 1 fds

Floating market
é legal demais ver as pessoas nos barcos vendendo de tudo, passeio bem bacana.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Dicas de Bangkok - parte 1

Volta e meia alguém me pede dicas sobre Bangkok, e um tempo atrás eu escrevi algumas coisas que achei que valiam a pena e que nem sempre estão nos blogs e guias turísticos por aí. Resolvi então dar uma ajeitada nas minhas anotações e fazer uns posts bonitinho pra, quem sabe, ajudar futuros viajantes por aí... ;)

Antes das dicas turísticas, umas dicas gerais e aleatórias:

- "Wat" é templo em tailandês, você vai ouvir e ler muiiiito essa palavra por lá;

- BTS é a sigla do skytrain, uma das melhores formas de se locomover na cidade. Bangkok tem o trânsito pesado, horas de engarrafamento... então skytrain e metrô são sempre boas pedidas. Eles costumam ficar bem lotados na hora do rush, mas são fáceis de entender e se virar.

- Os tailandeses no geral gostam muito do Rei, e é crime falar mal dele ou da família real (lesa-majestade, estrangeiros também podem ir presos por isso). Então é bom tomar um certo cuidado com comentários pejorativos, sarcásticos e afins.

- A moeda local é o bath (pronuncia bát), e eu fazia uma conversão beeem mais ou menos de R$1 = 10THB. Lembre de trocar seus bath restantes por dólares antes de voltar, porque não dá pra trocar aqui no Brasil.

- Bangkok tem basicamente 3 estações: quente, muito quente e extremamente quente, então é bom levar roupas leves. Para os templos e lugares reais que não pode entrar de short/bermuda, sugiro aquelas calças fininhas de algodão. Minha calça jeans passou 9 meses guardadinha na mala sem ver a cor do dia. Em compensação, os lugares fechados costumam ter ar-condicionado forte, então um casaquinho leve ou um lenço podem ser úteis também.

- Em quase todos os templos é preciso ficar descalça pra entrar, e muitos lugares têm vários templos, então é bom ir com sapatos fáceis de tirar e pôr. Parece besteira, mas você vai ganhar tempo e economizar preciosas gotas de suor.

- Pra pegar táxi você fala onde quer ir antes de entrar, e espera o motorista dizer se ele te leva ou não. Muitas vezes (muitas mesmo...) eles recusam, e te mandam descer do táxi sem problema caso você já tenha entrado. Se o motorista não quiser ligar o taxímetro e te der um valor fixo, pode pegar o próximo, porque ele provavelmente vai cobrar em média o dobro do que você pagaria com taxímetro.

- As pessoas se cumprimentam com o "wái", colocando as mãos juntas como o "namastê". E falam "sau-a-di-kha".

- Praticamente todas as casas e prédios têm um sapraphun (casa dos espíritos). Eu adorava observar cada uma e ver as pessoas fazendo oferendas também, então recomendo andar atento por Bangkok pra ver. Depois escrevo um post só sobre isso!

Acho que deu de dica geral, tem que deixar alguma coisa pra descobrirem ao vivo também, né?! ;P
Próximo post coloco algumas dicas de passeios e lugares.


na foto: uma sói (ruela), pra mim uma das coisas que mais representa Bangkok

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Bangkok

(escrito 6 de novembro de 2015)

hoje: oito meses que chegamos em bangkok. oito meses de uma vida bem diferente, de muito desapego, de muita coragem, de muitos desafios. de novas e queridas amizades, de saudade doída, de comidas gostosas e estranhas, de um idioma cantado e difícil. meses de muito calor, de achar que 30º é "fresco", de ter saudade e inveja do frio - logo eu, ter inveja do frio! oito meses convivendo com lagartos medonhos no parque, com uma espiritualidade palpável de tão presente e com letrinhas bonitas que já fazem mais sentido. bangkok foi sorrateira, me conquistando aos poucos, testando minha paciência inúmeras vezes e me mostrando que o outro lado do mundo tem muitos encantos... um brinde então a esse mundo mundo vasto mundo!

Loy Krathong

(escrito 25 de novembro de 2015)

O loy krathong era o festival que eu mais queria ver aqui na tailândia: é quando as pessoas homenageiam os rios (mães d'água, como já vimos em outro post) agradecendo a época de plantio. É também uma chance de mandar embora todas as energias negativas e começar um ciclo de renovação. Pra isso, as pessoas colocam os krathongs (esses "barquinhos") com flores, incenso e vela, nos rios, lagos e córregos. Colocamos os nossos no lago de um parque, e foi bem lindo ver ele todo iluminado e florido.



* pra ler ouvindo essa música aqui, e nem precisa agradecer por ela grudar na cabeça depois ;)