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Mostrando postagens com o rótulo viagem

Bangkok

(escrito 6 de novembro de 2015) hoje: oito meses que chegamos em bangkok. oito meses de uma vida bem diferente, de muito desapego, de muita coragem, de muitos desafios. de novas e queridas amizades, de saudade doída, de comidas gostosas e estranhas, de um idioma cantado e difícil. meses de muito calor, de achar que 30º é "fresco", de ter saudade e inveja do frio - logo eu, ter inveja do frio! oito meses convivendo com lagartos medonhos no parque, com uma espiritualidade palpável de tão presente e com letrinhas bonitas que já fazem mais sentido. bangkok foi sorrateira, me conquistando aos poucos, testando minha paciência inúmeras vezes e me mostrando que o outro lado do mundo tem muitos encantos... um brinde então a esse mundo mundo vasto mundo!

Tudo novo de novo

E cá estamos, do outro lado do mundo. Hoje eu fiquei pensando que pareço criança aqui: fico juntando as letras das placas, perguntando "o que significa isso?", quando não entendo uma palavra, e mostrando feliz da vida quando decifro a placa na minha frente (mesmo que seja a de pare). Ando também cheia dos por quês. Por que tem essa casinha pequena do lado de fora? Por que alguns lugares tem duas casinhas? Por que enchem o tanque de água do banheiro devagarinho e não de uma vez? Por que comem com colher e garfo? E aí percebi que me dispor a morar nesse outro lado do mundo, com suas tantas diferenças e outras tantas semelhanças, me colocou de fato na condição de infância - a infância da novidade, do desconhecido, do surpreendente. A infância que ri de cada pequena conquista, que se enrola pra falar o que quer, que se cansa de tanta coisa pra ver e aprender, que se encanta com as novas belezas.

saudade

esses dias tenho pensado muito sobre saudade - sobre a que eu estou "matando", aqui, ao rever pessoas e lugares queridos, e sobre a outra que eu estou alimentando, das pessoas e lugares do brasil. queria, mais uma vez, tentar explicar como que traduz essa tal saudade. me vi com um certo orgulho de pensar que é impossível traduzir saudade. que é uma palavra tão nossa que não existe equivalente no mundo. que falar que é "sentir falta" (miss you, por exemplo), não faz nem cosquinha no que é a saudade mesmo. será que a diferença é só poética? será que sentir falta de algo, de alguém, é diferente de sentir saudade? assim, a saudade me parece um "pó de poesia", talvez de ternura também, pra contrariar a aparente "mecanicidade" de "só" sentir falta. vai ver a saudade é quando a falta é também doce, e quando dói um pouquinho no aperto que dá, tudo ao mesmo tempo. a saudade é também aquele sorriso que vem pro rosto quando uma lembrança che...

Dois lados

primeiro ato sábado, sol, praia de ipanema, passa uma moça vendendo cangas e colchas lindas. eu paro pra perguntar o preço. vamos conversando, negociando, ela me dá um super desconto. quando vejo, já estamos as duas sentadas em outras cangas, batendo papo. cida, o nome dela. começa a me contar da vida, do que faz, do que gosta. diz que é cabelereira, e eu logo me animo: "ah, sério? to querendo cortar meu cabelo, cê não corta pra mim, não?" ela disse que sim, que cortava. é de brasília também, sobradinho, mas já está no rio há 25 anos. riso fácil, conversa boa, diz que da próxima vez que eu vier pro rio é pra ficar na casa dela. trocamos telefone, ela me dá um brinco de presente e diz que se um dia tiver uma neta, vai dar o nome de nathália, "porque toda nathália é ótima!". eu que não vou discordar, né?! na outra semana, nos encontramos por acaso na praia de novo, como velhas amigas. mais papo, mais combinações, o encontro pro tal corte de cabelo - amanhã, he...

Rio de Janeiro - II

(ou: cenas das tuas ruas) um senhor, de aparentes 80 anos, andando na rua tomando sorvete de casquinha. um moço, entregador de farmácia, carregando uma sacola com duas fraldas, esperando pra atravessar a rua dançando e cantando enquanto ouvia música com seu fone de ouvido (e as pessoas rindo, sorrindo e virando o rosto pra acompanhar a alegria dele). o pedro cardoso de chinelo andando com a filha. duas moças no ônibus gritando pro cara do biscoito globo, ajudando três famintas a matar a fome no engarrafamento sem fim - "ôô do biscoito! aqui! quanto é? me vê dois! ah, faz 3 por 5? então 3! pronto, meninas!". as mesmas moças contando a história da vida delas. de como elas se conheceram pegando ônibus e ficaram amigas."é, a gente pegava o mesmo ônibus todo dia, sempre, aí ficamos amigas. já fui na casa dela, ela na minha, ih! tem dia que eu até posso pegar outro, mas pego esse pra gente ir conversando." pessoas falando italiano, espanhol, inglês, francês, chinês e o ...

Rio de Janeiro - I

Como se mede o tempo? Em dias, são sete. Em horas, 168, mais ou menos. Em meses, 1/4. Em vidros de requeijão, um e meio. Em pão, três pacotes. Em idas à praia, para sol ou não, cinco. Encontros gostosos com a família, dois. Se fosse medir o tempo em risadas, daria eternidade. Em conversas, das mais variadas, também. Medindo em Colóquio, um. Em inspirações, infinito. Em livros começados, quatro. Em vontade de fazer o mestrado, até as estrelas. Em situações corriqueiras que só o Rio traz, umas mil. Em cronos, desde segunda passada. Em aión, nunca estive em outro lugar...

Boipeba

o lugar é um sonho. ou, pelo menos, o meu sonho. na hora que cheguei, reconheci logo de cara. "opa, é aqui", pensei. é bem assim mesmo o lugar que sempre sonhei, tem essas cores e cheiros, e parece até que as mesmas estrelas - inclusive as cadentes. é até clichê ficar descrevendo o céu estrelado, o sol lindo todo dia, a brisa do mar e {insira seu clichê de paraíso aqui}. água de coco gelada, paisagens de tirar o fôlego, café da manhã delícia, comidas sempre boas, rede... tava tudo ali. até um encontro bom e muito inesperado com pessoas queridas teve! no primeiro jantar, um restaurante simpático na vila. pra esperar a comida, o garçom traz um joguinho de dominó. dominó, minha gente! achei de um acolhimento sem fim, que ideia boa. e tudo parecia assim, pronto pra aconchegar, pra deixar a gente à vontade. as palavras pra resumir são, de novo, clichês. mas às vezes acontece isso mesmo na vida, né?! da gente passar dias que encaixam tão bem na gente que tudo que podemos f...

pausas

"a vida necessita de pausas", já dizia o poeta. por isso foi que passamos uns rápidos dias em joão pessoa, uma terra boa que só ela. canga na areia, sol, barulho do mar. juro que nem consegui ouvir música hoje, acho que de saudade mesmo do vai-vém das ondas. mergulhos, maré boa, pensamentos soltos, leveza. a vida na praia tem mesmo outro ritmo. conta também a des-preocupação das férias. sabe quando tem gente que diz que não consegue tirar férias? pois é, sou eu não. eu tiro férias muito, muito bem. deixei o relógio de lado (tirando o dia que acordamos pra ver o sol nascer), e vi o que ia dar. e o que deu foram praias lindas, pessoas simpáticas, encontros bons pela coincidência, passeios gostosos, muito banho de mar, sol, belezas, carona prum poeta repentista (que no final disse pra mim "se essa aí fosse poeta me batia todo dia!" arre!), comidas, comidas e comidas, pôr do sol com bolero no sax, risadas, hino da paraíba no violino, belezas, conversas, aconchego, vento...

um pouco de tudo

tem dias que eu quero muito escrever aqui. falar sobre conversas que tive, ideias boas que ouvi, filosofias baratas da vida que eu criei, lugares bonitos que eu visitei. tem dias que eu quero muito escrever, mas parece que as palavras grudam umas nas outras e não sai nada. vem uma linha, duas, e logo se apagam, em mim e na tela. sacudo a cabeça, suspiro. não era isso, não era assim. dia desses quis escrever sobre a beleza que é juntar pessoas diferentes em volta de uma mesma mesa. gosto quando vou num lugar e tem um monte de gente que não se encaixa no mesmo rótulo, compartilhando por um momento o carinho por alguém, a porção de batata frita e a conversa furada no meio das cervejas. gosto de ouvir opiniões que não são iguais às minhas, e aprender um pouco, e discordar outro pouco. ou até outro muito. mas gosto mesmo é quando sai uma risada. se for gargalhada, então... melhor ainda. não pra mostrar que todo mundo é igual, não. mas pra mostrar como tem alegria em ser diferente. também qu...

Saudade - II

Toda vez que eu conto pra alguém que ano que vem vamos morar na Tailândia, tem sempre umas perguntas e preocupações comuns: Eu falo a língua? Como eu vou fazer? Aonde a gente vai morar? Eu vou trabalhar lá? Como? Com que? Eu gosto de comida apimentada? Eu já fui pra lá antes? Eu penso também sobre todas essas coisas. Não é à toa que to estudando Thai que nem uma louca, e tentando me acostumar com algum nível de pimenta maior que zero, e ao mesmo tempo garantindo que eu sei falar muito bem "sem pimenta, por favor". Também to curiosa pra saber como vai ser a vida lá, se vamos achar um apartamento legal, se vou mesmo conseguir trabalhar... Mas eu confesso que, depois de ter passado por experiência parecida quando vim aqui pra Ithaca, minha preocupação maior e mais intensa se resume a uma pergunta só: Será que eu vou ter mesmo coragem de morar em outro lugar e criar MAIS UMA saudade pra minha vida?

:D

Ai, não dou conta. Eu to MUITO feliz que to indo pro Brasil! Mal consigo me concentrar, fico pensando no tanto que vou apertar minha família, na praia, na árvore da lagoa, strogonoff, guaraná, farofa, que vou passar o aniversário do meu pai com ele, no meu avô fofo, no tanto que vou rir com minha irmã, nos abraços da mamãe, nas primas, mimo das tias... e depois dos sogros, e dos cunhados, e concunhados! aaaaaah! algúem aperta o fast-foward, POR FAVOR??? :)

Chinatown

...e fomos para Chinatown. Ir pra Chinatown significa dizer que fomos engolidos por um buraco no tempo e no espaço, uma quebra na matrix, e fomos de fato parar em Pequim. No começo tem umas placas em inglês e traduzidas pro chinês (tipo o Citybank, o HSBC e a West Broadway). De repente, não existe mais inglês. Só o que existe são chineses, andando de um lado pro outro, vendendo patos, frutas que você não vê em lugar nenhum (e não sabe o que é, porque os nomes estão em chinês), falando em chinês uns com os outros, com as crianças, no telefone. Os panfletos que te entregam na rua estão em chinês, todos os letreiros de todos os lugares estão em chinês, e todas as pessoas andando são chinesas. É de ficar tonto mesmo, sem entender nada (ué... eu jurava que Nova York era nos Estados Unidos...) - aliás, sem entender nada MESMO, a não ser que você fale chinês. ;) Fomos andando, tentando sair do buraco negro, até chegarmos em Little Italy. Little Italy é um conjunto de ruas com restaurantes ita...

malas loucas

as malas tão dando um show em mim. eu tento uma tática direta, mais agressiva - guarde tudo, separe as coisas que vão, ponha tudo lá dentro... e nada. vou de mansinho, como quem não quer nada... pega um cd e finge que vai guardar, quando a mala menos perceber... HA! dou o bote. mas não funciona também. a verdade é que qualquer coisa me desestrutura nessas horas. cadê aquela máscara de madeira que eu tinha guardado? aí eu paro e fico procurando. não acho, sento no chão, separo outras coisas. mas a máscara (ou a falta dela) continua na minha cabeça; onde será que eu pus, será que o marcel levou nas coisas dele, mas eu vi ela aqui outro dia, ninguém mexeu nessa sacola, será que tá no armário... aí a bagunça já se generalizou. enquanto isso o gato caça um inimigo imaginário que, por coincidência, está embaixo de mim. no desespero, peço reforços: "mãe, você precisa vir pra casa. a mala tá ganhando, mãe!" eu ainda tenho um dia e meio pra virar o jogo. façam suas apostas...