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Mostrando postagens de Julho, 2010

propósito

"e não me obrigues a ler os livros que ainda não adivinhei
nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar
protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta
e com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos
ajuda-me serenamente a ler e a escrever a minha própria vida"


pra mim iso resume - traduz, melhor dizendo - tudo que eu quero, busco e acredito como professora, educadora.
como testemunha diária da forma que cada criança aprende, se torna ela mesma e floresce, de verdade, quando a gente não só deixa, mas também apoia, anima.

ver isso acontecendo aos poucos, fazer parte desse crescimento, dessas mudanças, é das melhores coisas nessa vida.




(agora explica melhor a falta que faz?)

linha tênue

eu nunca sei bem se, quando eu falo não pra uma coisa, eu to sendo sensata ou só bem mimada mesmo porque as coisas não tão saindo do jeito que eu quero.

sabem como é?

você encontra um grupo pra começar um trabalho, uma ideia, e todo mundo fala das coisas que são importantes. e depois, quando parece que não vamos dar conta de cuidar disso que era tão importante, as pessoas todas parecem super dispostas a não dar mais importância praquilo. menos eu.

eu continuo achando que é importante, e não sei se quero abrir mão só pra falar "isso, vamos continuar sim! não importa como!". fico sem saber daí se eu to ajudando, ao lembrar do que tínhamos combinado e prezado, ou se to sendo é muito chatinha e fresquinha, sem flexibilidade.

alguém sabe como faz pra medir isso e decidir?

receita

tem gente que diz que às vezes é preciso engolir o orgulho. em alguns casos, eu acho que a única saída é dissolver ele. porque, né?! o que a gente engole, ainda mais quando não quer, uma hora tem que sair. e nunca sai mais bonito de que quando entrou.

a solução, então, é dissolver mesmo o orgulho. ir amolecendo até ele perder a forma e a razão de ser. até começar a evaporar, ou se misturar, inofensivo, às outras coisas que estão por perto.

pra isso, tem que querer muito muita paz. tem que cansar de carregar pesos extras e desnecessários. tem que levar um susto grande, talvez causado pelo rancor e mágoa que o orgulho faz a gente guardar. tem que dar o braço a torcer, dar mais importância a uma bandeira branca levantada do que ao prazer de ouvir alguém dizer que a gente tava certo.

mas não acabou - nunca acaba. depois de dissolver o orgulho, precisa de muita, mas muita paciência. porque a dissolução do orgulho pode vir de brinde com muita expectativa; e, se a expectativa não é atendida, o…

do maior mico da vida

uma pousada linda, um grupo de pessoas em um encontro sobre a arte de anfititriar. um silêncio que começou na noite anterior, e duraria até o fim desse momento.

várias pessoas absortas em seus mundos e naquilo ao redor: a grama, a textura da folha, o barulho do balanço, o incômodo das pedras no chão.

eu, com um vestido e uma calça, sentada observando. de repente, a ideia: colocar o pé na areia e subir no escorregador.

subida feita, era hora de descer. escorregador de madeira, é bom notar. com 3 tábuas um pouco separadas, sabem como? pois é. começa a descida...

e vai descendo
descendo...

e para.

o vestido, bendito, enganchou na ponta do escorregador. tava eu lá, parada (encalhada, eu diria) no meio do brinquedo. as várias pessoas ao meu redor completamente imersas na atividade - que, ironia, ironia, eu mesma havia proposto. e em silêncio. lembram?

fazer o que uma hora dessas? sem poder gritar, sem conseguir fazer um gesto de socorro [não tinha ninguém olhando!], o jeito foi reunir minhas for…

novo, de novo

acho que desaprendi a escrever. a vontade cresce, e se eu tivesse um gravador que passasse as palavras que penso durante o dia direto pro papel, ou pra tela, o blog, os emails e cadernos iam estar cheios, lotados de histórias pra contar.

mas sem gravador mágico, automático, sobra eu aqui. tentando digitar alguma coisa, sem saber bem o que é, e já cansada de ter a falta de escrita como tema pra escrever. como se tivesse que pedir desculpas, ou pedir licença pra recomeçar. cuidado demais com o que for escrever, talvez? sem saber pra quem, pra que escrevo?

bom, tá aqui (mais um) recomeço e tentativa. e venha o que vier...