A saudade quando vem, vem bem quietinha. Ela não faz barulho, que é pra eu não saber que ela tá chegando. Me toma de surpresa, e quando menos espero sinto uma falta de ar que começa no peito, e depois sobe pra garganta, e toma todos os meus pensamentos. Às vezes a saudade começa do abstrato, do maior: o cheiro da cidade; as cores; o barulho do trânsito, a retidão do eixão, as árvores tortas, os debaixo-dos-prédios. Ela vai então diminuindo... a varanda do quarto, os corredores da UnB, a parede amarela do Interagir (a saudade me surpreende sempre também!), a casa de amigas, a padaria, a sorveteria preferida, a casa, os lugares. Os lugares... Aí ela vai chegando naquilo que eu não consigo descrever ou mensurar - risadas, abraços, conversas. Danças, caronas, colos, ombros. Festas, forrós, sambas, saias rodadas. Sofás, presenças, árvores com iniciais, andanças em parques, confissões em bares. Estudos de madrugada, brigadeiro antes de dormir, jogos até de manhã, segredos. Risadas soltas, bi...