Pular para o conteúdo principal

simples

Quando decidimos montar acampamento no Brasil por um tempo, e criar mais um cantinho nosso, todo mundo perguntou quando ia ser o chá de casa nova. Quando nós íamos fazer uma festa, um lanche, pras pessoas terem oportunidade de nos presentearem com coisas para o novo lar.

E a gente disse que não ia fazer. Na época, a gente tava mesmo muito sem tempo de pensar, organizar e querer curtir um chá de casa nova. Mas a gente também achava que era mais legal irmos comprando as coisas aos poucos, enfim. Tinham motivos práticos, ideológicos, supernaturais etc etc.

Hoje vi a parte boa disso: tivéssemos feito um chá de casa nova, com lista de presentes, pessoas trazendo jogos disso e daquilo, hoje teríamos em casa, muito provavelmente, um vaso de flores. Daqueles elegantes e chiques, bem bonitos, dados com muito carinho por uma pessoa querida.

Mas aí... se perderia todo o charme do improviso e da criatividade de usar um ex-pote de palmito pra abrigar belezas bem-vindas.



tem vezes que a falta traz coisas boas...

ps: dar desconto para a qualidade da foto, o arranjo tá lindo!
ps 2: tem mais um arranjo em pote de palmito, um em um copo (enquanto o rótulo do pote de azeitona amolece) e duas rosas brancas numa garrafa de vinho. poético.

Comentários

Lulu disse…
Gostei das flores, não gosto de azul. E fundo de céu é brega! Hahahaha
:*

Postagens mais visitadas deste blog

cheiros

{escrito em julho de 2015} bangkok tem um cheiro muito peculiar, que toda vez me intriga e me faz querer tentar descrever. não é um cheiro que se sente toda hora, e nem em todo lugar. mas todas as vezes que o cheiro vem, é inconfundível: cheiro de bangkok. é um cheiro acre, e olha que eu acho que nunca tinha usado essa palavra antes, a não ser pra falar do estado. mas é a única que me vem à cabeça quando penso nesse cheiro. é forte, é perfurante. não é um cheiro bom, já que lembra esgoto e comida estragada, mas por incrível que pareça também não é um cheiro ruim. parece impossível, mas apesar da combinação incômoda e nada perfumada, não chega a ser um fedor óbvio. talvez seja porque ele chega sem aviso, e logo passa. vem como um sopro, quase, só que intenso. às vezes acho que ele vem pra me lembrar que estou aqui, pra não me deixar enganar pelos shoppings e pelos ares cosmopolitas: eu não estou em qualquer grande cidade do mundo. eu estou em bangkok.

Parto da Elisa

41 semanas completas. Tinham sido 3 dias de contrações que iam e vinham, acupuntura, chás, caminhadas, tampão mucoso saindo... e nada de bebê. Encasquetei que eu precisava comprar uma cesta pequena de vime pra guardar qualquer coisa, virou imprescindível. Fomos então atrás, e tudo que eu pegava na loja gerava um questionamento do marcel. Enquanto isso, na escola, toda uma vida acontecendo, e ao invés de ter ido eu tava ali sendo temperada na ansiedade sem fim. Desisti de todas as compras e chorando falei que só queria ir pra casa. Minha vontade era de entrar numa toca, ficar quieta. Mas tinha que fazer ecografia e cardiotoco, então fomos pra maternidade. “acho que a bebê tava dormindo, vamos precisar repetir o exame porque ela não mexeu”. Tomei glicose na veia, já em frangalhos, e fiz o exame chorando. Será que estava tudo bem? Dessa vez ela mexeu, a ecografia tava ótima e mesmo assim o médico plantonista falou que 41 semanas era pra já nascer, que mesmo o bebê bem começava a ficar arr...

coragem

a coragem está justamente em pular sem garantia nenhuma. é mergulhar no desconhecido sem saber o que vem depois, o que espera na curva, confiando apenas naquilo que impele, que move, que faz pulsar. a coragem é feita de trama fina, mas resistente. passa às vezes despercebida pelos olhares mais desatentos. não se reveste de certezas nem redes de proteção, mas se forja no vento que bate na pele quando do pulo, no coração que bate ligeiro, no frescor simples de acreditar. não é de matéria frágil que a coragem é feita, e nem da insensatez. ela é construída em força, desejo e um ímpeto incontido de pegar a vida pelas mãos.