Pular para o conteúdo principal

Free School - FAQ

Uma sessão nova no meio do relato, respondendo dúvidas! :) Adorei.

Um amigo meu perguntou sobre quando a assembleia não resolve:

"Eu também fiquei me perguntando (num post lá atrás.. quando vc mencionou o tdah) como eles resolveriam conflitos e comportamentos abusivos.. vi que tem a assembleia, mas ainda fiquei na dúvida como eles realmente implementam e se não conseguem resolver isso na assembleia. O que rola? Conversinha, castigo, notinha na agenda, reunião com os pais, piscopedagogo, expulsão?"

Pelo que entendi, a assembleia é a última instância, último caso, último recurso quando nada mais funciona. A primeira coisa que tem é a regra do stop, que eles prezam bastante; tem também o "declared boundaries", os limites declarados. Às vezes alguém faz alguma brincadeira que a outra pessoa não gosta, mas o brincador não sabia que incomodaria, então a pessoa deixa claro o limite: "não gosto de ser chamada de blablabla", "não gosto quando você faz isso ou aquilo". Assim, agora que a pessoa já sabe, não rola mais de fazer. Quando isso não funciona, eles podem pedir ajuda de amigos, ou conversar com algum professor. A reunião de mediação, que foi a solução da assembleia que eu vi, geralmente acontece antes da assembleia. Algum professor media a conversa entre as pessoas, às vezes com outras crianças que possam ajudar também, e tentam chegar numa solução.

[update: a escola também tem um sistema de mentores, em que as crianças mais velhas são mentoras das mais novas. Esses mentores podem ajudar a resolver conflitos também, antes de chegar nas assembleias ou até nos professores]

Perguntei pro Bhawin o que acontece quando a assembleia não funciona. Ele disse que em casos muito raros, eles fazem reuniões com as famílias. Se tem alguma criança muito agressiva, que não consegue controlar seus impulsos, e a escola não está sendo um bom encaixe, eles trabalham com a criança e a família para tentar resolver. Em último caso, se for um comportamento MUITO abusivo e nada disso resolver, eles pedem para a criança sair da escola.

Então, respondendo: rola muita conversinha; não rola castigo, cantinho do pensamento etc; pode rolar reunião com os pais; não rola psicopedagogo; e, em último dos últimos casos, pode rolar sair da escola.

Tem mais perguntas, dúvidas, comentários? Coloca aqui, quem sabe rola um FAQ 2?! ;)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

cheiros

{escrito em julho de 2015} bangkok tem um cheiro muito peculiar, que toda vez me intriga e me faz querer tentar descrever. não é um cheiro que se sente toda hora, e nem em todo lugar. mas todas as vezes que o cheiro vem, é inconfundível: cheiro de bangkok. é um cheiro acre, e olha que eu acho que nunca tinha usado essa palavra antes, a não ser pra falar do estado. mas é a única que me vem à cabeça quando penso nesse cheiro. é forte, é perfurante. não é um cheiro bom, já que lembra esgoto e comida estragada, mas por incrível que pareça também não é um cheiro ruim. parece impossível, mas apesar da combinação incômoda e nada perfumada, não chega a ser um fedor óbvio. talvez seja porque ele chega sem aviso, e logo passa. vem como um sopro, quase, só que intenso. às vezes acho que ele vem pra me lembrar que estou aqui, pra não me deixar enganar pelos shoppings e pelos ares cosmopolitas: eu não estou em qualquer grande cidade do mundo. eu estou em bangkok.

Parto da Elisa

41 semanas completas. Tinham sido 3 dias de contrações que iam e vinham, acupuntura, chás, caminhadas, tampão mucoso saindo... e nada de bebê. Encasquetei que eu precisava comprar uma cesta pequena de vime pra guardar qualquer coisa, virou imprescindível. Fomos então atrás, e tudo que eu pegava na loja gerava um questionamento do marcel. Enquanto isso, na escola, toda uma vida acontecendo, e ao invés de ter ido eu tava ali sendo temperada na ansiedade sem fim. Desisti de todas as compras e chorando falei que só queria ir pra casa. Minha vontade era de entrar numa toca, ficar quieta. Mas tinha que fazer ecografia e cardiotoco, então fomos pra maternidade. “acho que a bebê tava dormindo, vamos precisar repetir o exame porque ela não mexeu”. Tomei glicose na veia, já em frangalhos, e fiz o exame chorando. Será que estava tudo bem? Dessa vez ela mexeu, a ecografia tava ótima e mesmo assim o médico plantonista falou que 41 semanas era pra já nascer, que mesmo o bebê bem começava a ficar arr...

coragem

a coragem está justamente em pular sem garantia nenhuma. é mergulhar no desconhecido sem saber o que vem depois, o que espera na curva, confiando apenas naquilo que impele, que move, que faz pulsar. a coragem é feita de trama fina, mas resistente. passa às vezes despercebida pelos olhares mais desatentos. não se reveste de certezas nem redes de proteção, mas se forja no vento que bate na pele quando do pulo, no coração que bate ligeiro, no frescor simples de acreditar. não é de matéria frágil que a coragem é feita, e nem da insensatez. ela é construída em força, desejo e um ímpeto incontido de pegar a vida pelas mãos.