segunda-feira, 25 de julho de 2011

sem as mãos


*post inspirado em uma conversa com a Renata (@tataflorentino).

quantas vezes nessa vida eu me perguntei (e ouvi várias e várias amigas se perguntarem também) por que tínhamos escolhido a pessoa X pra se apaixonar, quando no fundo a gente sabia que não ia dar certo. pessoas comprometidas, enroladas, incompatíveis, difíceis de lidar, don juans e casablancas desse mundo...

eu tenho pra mim que a gente escolhe já sabendo mesmo que vai dar merda errado no final. é como se fosse uma segurança, um terreno conhecido, onde a gente pula já sabendo o tamanho do tombo. como ter uma cordinha de apoio, segurando a gente. como um bungee jump, se a imaginação deixar.

no bungee jump, a gente vai e pula. tem toda a expectativa de subir até o topo, a emoção do pulo e a beleza poética daquele ato tão entregue de se jogar. mas a gente sabe que é seguro. que a cordinha vai segurar, e que a desilusão do fim da queda vai ser suportável (ufa).

difícil mesmo é se jogar em queda livre, com a esperança (sempre ela...) de que a queda na verdade vai virar um voo. acho que isso que é o amor. é o que fica quando a gente deixa todas as nossas cordinhas pra trás e pula.

foto por Vitor Massao /@massalogia

quando a gente se despe de todos os "e se", pro bem e pro mal, e vai. quando pegamos os "e se der errado?"; "e se eu me magoar?"; "e se der certo?"; "e se eu não tiver pronta?" e largamos eles na beira, ou deixamos eles voando pra longe do nosso pulo, correndo o risco, sempre, de se estabacar.

mas acho que vale o voo, vale a vista, vale tudo que vier. e, sério. do chão não passa.

2 comentários:

Eduardo Ferreira disse...

rs... exatamente por aí.

Juliana Seidl disse...

Concordo - do início ao fim. É a Nath falando por muitos - pra não dizer todos - mais uma vez. ;)