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A insuportabilidade do ser

Tem uma amiga minha, a Carol, que dá tilt quando tem alguma coisa muito fofa, linda, gostosa por perto. Sabe, quando uma criança faz questão de fazer uma gracinha tão tão bonitinha e esperta que dá vontade de apertar e esmagar? Então. Quando tem uma situação delas, a Carol descreve como insuportável. É tão incrível, que você não consegue aguentar. Que você precisa morder. Apertar a bochecha, o braço, abraçar forte e falar "aaaah, não!" É assim que é ser insuportável.

Pois aí que outro dia, na conversa via skype que contei, com o Kii, tive um belo exemplo dessa insuportabilidade toda.

Lá está ele, na frente do computador, com 8 anos, falando comigo. A mãe dele é uma grande amiga lá de Ithaca, e eu e ele éramos bem próximo; eu ia pra casa dele e a gente desenhava junto, brincava, jantava, era uma farra só. E tem mais de dois anos que não vejo ele, morro de saudade. Mas voltando à história.

Tava ele lá, mostrando a janelinha do dente caído e contando que gosta sim da escola. Eu pergunto se ele ainda desenha, se ainda gosta. A resposta?
"Yep. I have some new masterpieces. Do you want me to show them to you?"

Masterpieces. MASTERPIECES. Gente.

Ele tem novas obras primas.

Eu não dou conta. Eu dei um cataploft pra trás. Twist duplo carpado mega plus de tanto derreter. Parou meu coração, é demais pra aguentar.

Agora durma com esse barulho: ele tem novas obras primas.

Tsá?

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