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Aprendendo Thai - lição 2

{post originalmente postado em março de 2012} Relendo algumas coisas no blog achei uma primeira aula de tailandês aqui, em que eu prometia próximos capítulos. Bom. 2 anos e meio depois (haha), eu volto pra terminar a aula. Tinha prometido: ensinar a falar rio (ainda lembro); a lombra dos presidiários (tenho uma vaga ideia, mas nem sei mais como fala presidiário...); e a facilidade de saber os cômodos da casa (esse é fácil mesmo, 2 anos sem thai e eu lembro). Papel e caneta na mão? Cara de quem liga muito pra isso pronta? Vamos lá! Rio se fala meé náam (แม่น้ำ) - meé é mãe; e náam é água. Ó que bonito, o rio é a mãe das águas. Lembro que adorei quando aprendi isso, tão simples e delicado... eu gosto. Pulemos a parte dos presidiários (quem sabe daqui mais 2 anos eu volto e conto? A esperança é a última que morre...), e vamos pro cômodos da casa. Super fácil! Em tailandês, cômodo se fala hóong (ห้อง). Pra cada lugar da casa, então, você vai colocar a palavra ห้อง ( hóo...

Tudo novo de novo

E cá estamos, do outro lado do mundo. Hoje eu fiquei pensando que pareço criança aqui: fico juntando as letras das placas, perguntando "o que significa isso?", quando não entendo uma palavra, e mostrando feliz da vida quando decifro a placa na minha frente (mesmo que seja a de pare). Ando também cheia dos por quês. Por que tem essa casinha pequena do lado de fora? Por que alguns lugares tem duas casinhas? Por que enchem o tanque de água do banheiro devagarinho e não de uma vez? Por que comem com colher e garfo? E aí percebi que me dispor a morar nesse outro lado do mundo, com suas tantas diferenças e outras tantas semelhanças, me colocou de fato na condição de infância - a infância da novidade, do desconhecido, do surpreendente. A infância que ri de cada pequena conquista, que se enrola pra falar o que quer, que se cansa de tanta coisa pra ver e aprender, que se encanta com as novas belezas.

Parto da Clarice

escrevi esse relato há dois meses, mas só agora deu vontade de compartilhar por aqui. então... senta que lá vem história. O parto é uma aventura, e uma experiência. Experiência é uma palavra que usei muito nos últimos meses, ficou impressa várias vezes no meu outro parto, da dissertação. Eu falo que experiência é uma coisa que atravessa a gente, e cujo desfecho é necessariamente inesperado. Na sua raiz, experiência traz a origem, o inesperado e o perigo. Assim foi o parto da Clarice. Todas as outras vezes que comecei a escrever esse relato (e foram algumas), eu me detive na ordem das coisas, e nos números: quantos cm de dilatação, qual o intervalo das contrações, que horas eram, qual a sequência dos fatos. E o relato ficava ali, travado e parado. Eu querendo justificar, mensurar, explicar o que na verdade não tem explicação nenhuma. Então eu desapeguei. Me entreguei, como tenho tentado fazer todos os dias dos últimos quatro meses. Como tentei também durante a gravidez, como acho...

morando no azul

Eu mergulhava numa piscina muito azul, e era uma delícia entrar na água. Ficava tentando achar o fundo da piscina para pegar impulso, mas parecia não ter fim. Então eu ia, com um pouco de medo e uma agonia de não saber quando ia conseguir colocar o pé no chão. Enfim, o chão chegava, e eu pegava um impulso grande. Tão, tão grande, que eu saía da água e voava, dava pra ver a piscina lá embaixo. E eu ficava com medo de não voltar, de sair voando pra sempre. E caía de novo. Pensava, então: "é isso que é a maternidade". ((com trilha sonora ))

Free School 11 - um monte de pergunta

(ou: FAQ 3 a 7!) Em meio a um monte de conversas sobre a Free School, várias perguntas foram aparecendo. Vou tentar falar de todas um pouquinho. Se tiverem mais... os comentários tão aí pra isso! Vamos lá: ~ Eles podem chegar atrasados na escola? Até isso é livre? Pelo que eu percebi lá, sim. Não perguntei sobre isso especificamente, mas não pareceu ser uma questão. A escola abre às 7h30, e tem café da manhã até umas 8h30; as primeiras atividades do dia (sejam aulas, reunião de atividade, continuação de assembleia ou saída para excursão) são marcadas para 9h. Então já tem uma flexibilidade grande da hora de chegada. Mesmo assim, algumas crianças chegam mais tarde, e tudo bem. A Carol, de 11 anos, me contou que a irmã mais velha dela, que também estuda na escola, sempre demora pra se arrumar e atrasa, e a Carol não gosta. Ela disse que chegar na escola às 8h30 é tarde para ela, que ela gosta de chegar cedo, tomar café com as pessoas, ir começando o dia com calma. Mas vários dias...

Free School 10 - o nada

Eu sempre fui grande defensora do direito de não se fazer nada na escola. Espalho aos quatro ventos como acho importante que as crianças tenham tempo e espaço de respirar, de olhar pela janela, de ficar à toa. Fiquei muito surpresa, então, quando saí da Free School na primeira visita com um incômodo que não sabia bem explicar, mas que tinha a ver com um suposto limite, que eu achava que deveria ter visto, entre a liberdade e o desleixo, o descaso. Na sexta à tarde, o clima na escola era de... nada. Umas crianças sentadas/deitadas no sofá; alguns tinham ido para um parque perto, deixando o espaço mais vazio que de costume. Outros "meio" desenhando, meio só ali, olhando. Nem tinha muita conversa na hora. Não vi os professores, e não senti ninguém engajado, interessado. E foi isso que me incomodou. Eles não deveriam estar matando a curiosidade inata de cada criança? Não deveriam estar concentrados em alguma coisa (um jogo, um videogame, qualquer coisa )? Logo deu a hora da...

Free School 9 - turmas e horários

A questão das turmas é: Então as "turmas" são separadas por idade? Por vontade de aprender? Elas são separadas por idade, sim; a diferença é que essa separação não é muito rígida. Cada turma na verdade tem duas "séries", com crianças mais ou menos na mesma faixa etária. Começa na pré-escola, com crianças de 3 e 4 anos, e vai assim até o ensino fundamental 2 (7o e 8o anos, com adolescentes de 12 a 14 anos). A única série que fica sozinha (esse ano letivo, por causa do número de alunos) é a 4a. Vou colocar o exemplo do horário do grupo do 7o e 8o anos, para explicar melhor como funciona essa divisão: Segunda 9h-9h30: Reunião de atividades {A escola toda participa, e é obrigatória. Nesse dia eles repassam os horários da semana, relatam atividades especiais, começam a semana} 10h-11h: Reunião da turma {O grupo de duas turmas, que têm a mesma sala base (homeroom) e um professor, se encontram para conversar também. Nessa hora, cada turma está em sua sala, com seu...