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Conflitos

Uma das reações mais comuns quando duas crianças tem algum conflito é o adulto soltar um "pede desculpas!" logo de cara. A criança vai, olha pro teto, fala "desculpa" como quem mata um mosquito sem ver e pronto, a vida segue seu rumo. Mas aí tem uma coisa que acaba acontecendo que eu não gosto muito - a desculpa vira automática, e álibi perfeito pra tudo. Tá lá o menino andando, empurra o outro de implicância; o empurrado chora, reclama; o empurrão olha pra professora e fala logo um "Desculpa!", enquanto continua andando e empurra o próximo. Pois bem. Comigo não, tenho outra tática. A ideia não é minha, claro. Vi outras professoras fazendo, e funcionando, e acho que vem da dona Maria Montessori (pausa pro suspiro de fã). Vou contar um caso que aconteceu ano passado, que ilustra bem o exemplo. Duas meninas brigam por algum motivo. Uma delas sai de braços cruzados, cara fechada, passos largos e rápidos, furiosa indo embora do parquinho. A outra vem a...

círculo

desde semana passada que tenho pensado muito no que é ser mulher. na força que isso tem. e pela primeira vez me senti muito conectada a todas as outras mulheres do mundo... uma ligação sem muita explicação, mas boa de ser sentida. e aí lembrei de um texto curto que escrevi um tempo atrás: nisso tudo, as amigas me salvam. é como se elas fossem salva-vidas, me puxando do redemoinho quando eu acho que vou afogar. elas me tiram do mar brabo, me colocam na areia, me ajudam a respirar e me dão carinho e apoio. elas são como anjos da guarda, cuidando de mim. me olhando com ternura e compreensão, criando uma rede mágica que me ampara e me protege. e eu sou tão grata a elas... obrigada, mulheres lindas e fortes da minha vida!

A insuportabilidade do ser

Tem uma amiga minha, a Carol, que dá tilt quando tem alguma coisa muito fofa, linda, gostosa por perto. Sabe, quando uma criança faz questão de fazer uma gracinha tão tão bonitinha e esperta que dá vontade de apertar e esmagar? Então. Quando tem uma situação delas, a Carol descreve como insuportável. É tão incrível, que você não consegue aguentar. Que você precisa morder. Apertar a bochecha, o braço, abraçar forte e falar "aaaah, não!" É assim que é ser insuportável. Pois aí que outro dia, na conversa via skype que contei , com o Kii, tive um belo exemplo dessa insuportabilidade toda. Lá está ele, na frente do computador, com 8 anos, falando comigo. A mãe dele é uma grande amiga lá de Ithaca, e eu e ele éramos bem próximo; eu ia pra casa dele e a gente desenhava junto, brincava, jantava, era uma farra só. E tem mais de dois anos que não vejo ele, morro de saudade. Mas voltando à história. Tava ele lá, mostrando a janelinha do dente caído e contando que gosta sim da es...

Boipeba

o lugar é um sonho. ou, pelo menos, o meu sonho. na hora que cheguei, reconheci logo de cara. "opa, é aqui", pensei. é bem assim mesmo o lugar que sempre sonhei, tem essas cores e cheiros, e parece até que as mesmas estrelas - inclusive as cadentes. é até clichê ficar descrevendo o céu estrelado, o sol lindo todo dia, a brisa do mar e {insira seu clichê de paraíso aqui}. água de coco gelada, paisagens de tirar o fôlego, café da manhã delícia, comidas sempre boas, rede... tava tudo ali. até um encontro bom e muito inesperado com pessoas queridas teve! no primeiro jantar, um restaurante simpático na vila. pra esperar a comida, o garçom traz um joguinho de dominó. dominó, minha gente! achei de um acolhimento sem fim, que ideia boa. e tudo parecia assim, pronto pra aconchegar, pra deixar a gente à vontade. as palavras pra resumir são, de novo, clichês. mas às vezes acontece isso mesmo na vida, né?! da gente passar dias que encaixam tão bem na gente que tudo que podemos f...

Dia Mundial* de Lembrar de Ithaca

* mundial, no caso, se refere exclusivamente ao meu mundo. Tudo começou com um sonho bem vívido. Era noite e eu estava dentro de um ônibus, sem saber muito bem o destino dele. Eu tava bem agasalhada e com um gorro preto, que depois eu viria a perder. De repente, o ônibus chega. Em Ithaca, claro. Eu desço do ônibus super feliz, sem o gorro, e fico olhando ao redor, lembrando dos prédios de Cornell e reconhecendo o lugar tão familiar. Quase não me aguento de felicidade, e pergunto pro Marcel: "você pegou o endereço da nossa casa? É pra que lado?" E saímos andando, felizes da vida, carregando surpreendemente poucas malas, e rindo muito ao lembrar de histórias passadas. Corta então pra noite, na vida real, e uma ligação no skype. Conversei um bom tempo com a Uniit e o Kii, filho dela de 8 anos (que vai aparecer aqui de novo já já). Fiquei sabendo que ela voltou a dançar, que passou no mestrado também, que o Kii já perdeu 4 dentes, está com outros 7 moles e que já está na ...

Faça você mesmo

Desde que mudamos pro apartamento atual, 1 ano atrás, essa estante de caixas é nosso grande xodó - e das visitas também, que adoram! São baratas, práticas e multi-uso - começaram a labuta na cozinha, antes dos armários chegarem; migraram pra sala, onde guardaram mimos e enfeites, e agora estão também no escritório, com livros e bagunça . Quer aprender a fazer também? Simbora! 1. A primeira coisa é ir até o CEASA mais próximo e pedir pra alguém umas caixas de madeira. Aqui em Brasília nos cobraram 5 reais por caixa (sempre bom contribuir pra cerveja da galera, hein?!). Pegamos 6 caixas, colocamos com algum esforço no carro e... 2. Com as caixas em mãos, é bom fazer duas coisas de preparação: ver se todos os pregos estão no lugar, martelando os que não estão pras caixas ficarem firmes, e passar um pano pra limpar as caixas também. 3. Depois disso, a etapa poeirenta: lixar bem as caixas! Isso serve mais pra tirar as farpas e pra esfolar os dedos. É gentileza usar uma luva, tr...

sem as mãos

*post inspirado em uma conversa com a Renata (@tataflorentino). quantas vezes nessa vida eu me perguntei (e ouvi várias e várias amigas se perguntarem também) por que tínhamos escolhido a pessoa X pra se apaixonar, quando no fundo a gente sabia que não ia dar certo. pessoas comprometidas, enroladas, incompatíveis, difíceis de lidar, don juans e casablancas desse mundo... eu tenho pra mim que a gente escolhe já sabendo mesmo que vai dar merda errado no final. é como se fosse uma segurança, um terreno conhecido, onde a gente pula já sabendo o tamanho do tombo. como ter uma cordinha de apoio, segurando a gente. como um bungee jump, se a imaginação deixar. no bungee jump, a gente vai e pula. tem toda a expectativa de subir até o topo, a emoção do pulo e a beleza poética daquele ato tão entregue de se jogar . mas a gente sabe que é seguro. que a cordinha vai segurar, e que a desilusão do fim da queda vai ser suportável (ufa). difícil mesmo é se jogar em queda livre, com a espera...